Como artista, sempre procurei traduzir nos meus trabalhos as inquietações que me movem, os interesses que me fascinam e os objetivos que procuro obstinadamente atingir. As memórias mais antigas que guardo são as da pequena caixa das aguarelas que me foi oferecida pelo meu pai aos 5 anos, passando eu a colorir imagens e a criar mundos imaginários complexos, quase sempre focados num dos meus mais persistentes fascínios: a figura humana e as muitas nuances que o rosto consegue obter através da pintura e do desenho.
Aos 14 anos fiz a minha primeira pintura a óleo, que obteve reconhecimento por parte de várias pessoas ligadas à arte, o que me motivou a continuar a pintar e desenhar, ganhando mais tarde o 2º prémio de Pintura e Desenho da Junta de Turismo do Estoril. Seguiu-se posteriormente um percurso académico na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa, onde me confrontei com novos desafios e percebi o contexto artístico, social, político e estético do que produzia enquanto artista.
Mais tarde, e paralelamente à pintura, iniciei um percurso como antiquária, procurando conciliar o meu gosto pela arte contemporânea com a memória da história e das vivências do tempo. A morte de uma pessoa muito próxima, o meu marido, obrigou-me a repensar o meu lugar no mundo e a perceber melhor a efemeridade da vida. Assumindo a ruptura e iniciando uma nova fase, realizei a exposição individual “Correntes”, em que eu tentei transmitir sentimentos de solidão, incerteza, mas também de paixão e de amizade. Quase de seguida faço três exposições individuais, “Diabos à solta” - que é uma interpretação minha das máscaras de Lazarim e de-Trás-os-Montes -, o “Dia de todos os Santos”, onde discorro sobre o imaginário religioso português, e uma última exposição retrospectiva, onde reúno uma coleção de vários trabalhos de diferentes épocas e temáticas.
Tenho continuado a pintar quotidianamente desde então, no atelier próprio que tenho em Lisboa, centrando-me ultimamente em retratos - uma paixão pessoal, numa tentativa de transmitir a complexidade do ser humano e as suas expressões -, e em naturezas mortas, oscilando entre a liberdade de um caráter mais abstrato ou efetivação concreta de uma figuração lírica e poética. Neste percurso diverso, mas intenso, ganhei prémios (Foz Arte 2023) e reconhecimentos vários, levando-me a acreditar que a arte tem um poder evocativo e simbólico extraordinário, e que através da Pintura consigo chegar a um público mais vasto e realizar-me plenamente enquanto mulher e artista.